História

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                       100 ANOS DA REVOLUÇÃO DE 1923

Foi uma revolução de origem política. O Rio Grande se levantou em armas contra o governo de Borges de Medeiros reeleito em 1923, acusado por eleições fraudulentas. O líder do Partido Republicano governou o Estado de 1915 a 1928. Na época não existia um controle eleitoral organizado, e as pessoas votavam mais de uma vez, como também votavam nas cidades próximas e até os mortos votavam.  Antero Marques, afirmou em seu livro:” A máquina eleitoral de Borges é lubrificada de fraude…” Daí surgiu o termo depreciativo de “Chimangos”. (rapina) O historiador Ferreira Filho disse em uma entrevista: “ao espírito belicoso do homem da campanha, ao pendor para resistir pela força – não concordou com o resultado da eleição de Borges ou com a apuração e lutou”. Prossegue Arthur – “é que o gaúcho daquele tempo era belicoso, acreditando que ficar em casa, em tempo de revolução, não era coisa para homem, e sim para mulheres e crianças”. Comandada pelo líder do Partido Libertador Assis Brasil, a oposição gaúcha iniciou a Revolução de 1923. Nesse ambiente, surge a figura mística do Tropeiro da Liberdade Honório Lemes, o famoso Leão do Caverá, que comandou as tropas libertadoras nas lutas na região Oeste do Estado. Velho combatente de 93, de grande bravura pessoal e qualidades de liderança. Mas, a oposição, entre os chefes maragatos, achavam que aquele tropeiro humilde, estava fora das guerras modernas. O homem do Caverá sabia tudo das artimanhas da guerrilha. Foi preciso consultar o General Fábio Azambuja, militar da ativa, comandante da Divisão de Cavalaria de Alegrete, que foi incisivo:”Vocês estão perdendo tempo. Vocês não contam com ninguém melhor que o Honório. Deixem que ele brigue ao primeiro combate como coronel e depois façam-no general”. E assim foi.  O Caverá é um cenário áspero, e só poderia gerar homens de igual têmpera, era o quartel do general de Honório, um guerrilheiro genial. As forças governistas eram modeladas pela Brigada Militar, e as grandes unidades eram as Brigadas de Provisórios, em número de cinco. Lutas de Chimangos contra Maragatos, lenço branco contra o lenço vermelho federalista.  A sociedade rio-grandense ficou dividida: ou bem se era federalista ou republicano; gasparista ou castilhista. Vários combates com ataques a pistola, fuzil e espada; o corpo a corpo, a punhal, a temível carga de cavalaria, tingiram de sangue o verde do pampa gaúcho. Foi a revolução da “lança contra a metralhadora”. A Revolução iniciou em 01 de março e culminou em 14 de dezembro do mesmo ano, abrindo caminho para os entendimentos de paz, com a assinatura de Pedras Altas. Quando o general Setembrino de Carvalho, enviado por Bernardes para pacificar o Rio Grande, pergunta: – Mas, afinal, o que os senhores querem? – ele responde, sem titubear, o “rude”, o “tropeiro”:- “NÓS QUEREMOS LEIS QUE GOVERNEM OS HOMENS E NÃO HOMENS QUE GOVERNEM LEIS”.  

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