
Fósseis no Rio Grande do Sul
No ano de 1902, nos arredores de Santa Maria, foi achado o primeiro fóssil de que se tem noticia no Estado. O autor da descoberta foi o médico Jango Fischer, que, sem saber muito o que fazer com aqueles ossos, enviou-os para São Paulo, e de lá para o British Museum. Era uma espécie nova de animal pré-histórico, que recebeu o nome dele em homenagem: Scaphonix fischeri. Depois dessa primeira descoberta a “arqueologia amadora” virou mania no município. Todo mundo queria ter seu fóssil. O grande passatempo da cidade era ficar cavoucando ruas, quintais e qualquer lugar mais próximo a procura de ossos fósseis. Como não havia nenhum especialista brasileiro no assunto e a região era habitada por descendentes de alemão, fez-se do limão uma limonada: os ossos iam todos para um especialista alemão na Alemanha mesmo. Aliás, o maior especialista do mundo na época Her Barão Friedrich Von Huene, da Universidade de Tübingen. O Barão devia dar trabalho aos correios alemães: entre 1907 e 1927 mandara para ele mais de 200 peças. Era osso que não acabava mais, base para vários trabalhos e estudos seus. Bom, para corresponder a todos os “fãs” que abarrotavam sua caixa postal, Von Huene resolveu ele mesmo vir até o Rio Grande do Sul para conferir com os próprios olhos de onde saia tanta variedade e quantidade de vestígios pré-históricos. Organizou uma grande expedição e esteve aqui entre 1928 e 1929. Ele e sua equipe percorreram Santa Maria, arredores e grande parte do interior. Usavam trem quando possível, mas na maioria das vezes tinham de se locomover de carroça ou mesmo a pé para realizarem suas explorações. Quando esteve aqui, também reparou na abundância de madeira fossilizada na região onde hoje estão os municípios de São Pedro do Sul e Mata. Para não perder o costume, foram oito toneladas de material coletado que o Barão levou para a Alemanha de navio. As peças hoje fazem parte das coleções de museus europeus, sendo que no Brasil não se encontra nada parecido sobre nossos próprios dinossauros. Hoje os troncos fósseis, verdadeiras florestas petrificadas, são atração turística na região e têm sua preservação garantida pela lei. Já com os fósseis de répteis é mais complicado: a cidade cresceu muito e, nos lugares onde Von Huene fez suas pesquisas, hoje estão prédios e avenidas. Os santa-marienses não sabem, mas vivem em cima de um tesouro arqueológico. (Emiliano Urbim). (Fonte: Ciência e Ambiente, janeiro/junho 1995)
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